Racismo e Xenofobia: mais um na estatística?

O nome dele é Vinícius José Paixão de Oliveira – carinhosamente chamado aqui no Brasil de “Vini Jr”. Jogador de futebol que na atualidade atua como “ponta esquerda” no Real Madrid e também pela Seleção Brasileira. É importante iniciar nossa fala pela apresentação até para lembrar que trata-se de um craque do futebol internacional e considerado um dos melhores do mundo! Não fosse isso teria sido trucidado ou queimado vivo como na época da inquisição em plena partida pelos torcedores do time adversário. Em meio aos gritos hostis de MACACO Vini Jr. não se deixou intimidar e com a força de Deus e seguramente de seus ancestrais revidou as ofensas, inclusive dentro de campo o que culminou em sua expulsão. Naquele momento sem direito de defesa e tomado pelo desespero só restaram as lágrimas como expressão maior da palavra injustiça! Mas estamos em pleno século XXI então esse é um fato inaceitável. Segundo declarações do próprio Vini Jr. já não é a primeira vez e os ataques aconteciam a muito tempo. Esse aliás não é um caso isolado, já tivemos notícias de tantos outros. A discriminação racial impera em toda a parte no mundo do futebol e fora dele também. A grande questão é quem será o próximo na estatística? Convivemos com o preconceito em nosso cotidiano, em sua forma estrutural, velada, asfixiados pela hipocrisia dos vampirescos de plantão que sorrindo proferem frases ou palavras carregadas de ódio, exclusão e ainda tentam convencer a todos que é brincadeirinha ou pior, que os culpados somos nós. Vinícius foi questionado por um jornalista se havia pedido desculpas para a torcida do Real Madrid. Vinícius levou um “mata-leão” e foi expulso de campo em sinalização de quanto é invalidado o sofrimento de quem tem a pele negra. Já estava a algum tempo pendurado em baixo do viaduto o boneco simulando um enforcado com o nome Vini Jr. escrito na camisa. Não é sobre a cidade de Valência, a Espanha, tampouco o Brasil. O problema não é o futebol, a La Liga ou até mesmo o jogador do Real Madrid. É sobre os vários tipos de crimes cometidos repetida e descaradamente em nosso cotidiano em locais mais improváveis e de forma a normalizar algo que não é normal. É sobre os “Vinícius” anônimos que no momento em que exponho meu pensamento estão sendo atacados, humilhados e mortos. Está escrito no dicionário o significado da palavra ANTIRACISMO: postura, atitude, movimento, prática que se opõe ao racismo ou o combate. O que perpetua e normaliza o avanço do racismo no Brasil é a desvalorização da vida das pessoas negras. Então se você realmente acredita que vidas negras importam, comece valorizando a pessoa que você emprega deixando-a em casa quando tem operação na comunidade em que ela reside. Ela representa a doméstica que teve seu filho de 05 anos morto por negligência da patroa, ela é mãe do menino morto em casa por bala perdida, ela pode ser o entregador que levou chicotadas com a coleira de um cachorro na zona sul do Rio de Janeiro e ela também é parte do ínfimo quantitativo em número de vagas de mulheres que desejam estar na política, nas instituições públicas em cargos de poder e que apesar de qualificadas tem na cor da pele o NÃO antes do currículo. Ser antiracista é combater com ação todo e qualquer preconceito que existe em cada um de nós fruto histórico de herança maldita implantada desde o coronelismo. Ser antiracista deve ser posição não só de negros, mas, principalmente de brancos. Não é só acolher quem foi agredido, mas colocar o agressor em seu devido lugar, se preciso recorrendo à lei. Estaremos exercendo atitudes antiracistas ao intervir pois é só a partir de ações que mudaremos essa situação.

Por Sônia Borges.

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