Com raízes na Zona Sul e na Baixada Fluminense, cantora apresenta canção que mistura ancestralidade, vivência e afirmação feminina
A música, para Naná Almeida, nunca foi apenas escolha, sempre foi destino.
Criada entre o morro do Pavão-Pavãozinho, e no de Vilar dos Teles, em São João de Meriti, Baixada Fluminense, a cantora cresceu cercada por referências musicais que atravessam gerações. Do seu avô compositor, com passagem pela efervescente cena da Lapa, aos tios músicos que se apresentavam em casas de show, a arte sempre esteve presente como herança e destino.
Hoje em Saquarema, na Região dos Lagos, onde vive e desenvolve sua carreira, Naná apresenta ao público “Filha de Oyá”, uma canção que vai além da melodia e se afirma como um manifesto de identidade, fé e pertencimento.
Logo nos primeiros versos, a música revela sua essência:
“Eu vim de lá, do Pelourinho, eu sou do gueto, eu sou do axe e do Alafim….”
A letra percorre referências à cultura afro-brasileira, espiritualidade e ancestralidade, conectando elementos do universo iorubá à vivência contemporânea. Termos como “Orumilá” e “Okê Arô” não aparecem por acaso, são símbolos de sua conexão, proteção e força espiritual.
Em “Filha de Oyá”, Naná Almeida canta a própria história e, ao mesmo tempo, ecoa uma narrativa coletiva. A canção reafirma identidade, celebra raízes e transforma o palco em espaço de entrega.
“Quando estou nesse palco eu entrego amor, alegria e prazer”, diz um dos trechos, que traduz a presença cênica da artista.
Antes do lançamento, a caminhada de Naná foi marcada por etapas comuns a muitos artistas independentes: começou cantando na igreja, passou pelas rodas informais e pelas “canjas” em bares, até consolidar sua atuação profissional.
Mãe solo de João Pedro e Bernardo, Naná Almeida carrega na trajetória não apenas a música, mas também a vivência de quem constrói seu caminho com autonomia, resiliência e sensibilidade.
Essa experiência transparece em “Filha de Oyá”, que surge como um ponto de afirmação artística e pessoal. A faixa conta com produção de áudio de Preto Jóia e arranjo de Jota Razão, que também assina a composição ao lado do produtor. A percussão, elemento central da música, fica por conta de Alex Café, reforçando a presença rítmica que dialoga diretamente com as raízes afro-brasileiras.
Gravada em setembro de 2025, no Estúdio Cesinha, em Pilares, a música ganha ainda mais força em sua versão audiovisual, registrada na Praia de Jaconé, em Saquarema cenário bucólico que conecta natureza, espiritualidade e estética.
Com “Filha de Oyá”, Naná Almeida dá um passo importante na consolidação de sua identidade artística. Sem seguir fórmulas, a cantora aposta na verdade da própria história como matéria-prima.
Entre o gueto, o axé e a vivência cotidiana, sua música encontra um lugar próprio e convida o público a escutar não apenas uma canção, mas uma trajetória em movimento.
📌 Ficha técnica
Música: Filha de Oyá
Autores: Preto Jóia / Jota Razão
Intérprete: Naná Almeida
Produção de áudio: Preto Jóia
Arranjo: Jota Razão
Percussão: Alex Café
Gravação: Estúdio Cesinha – Pilares (RJ), setembro de 2025
Locação (clipe): Espaço Cultural Elisângela – Praia de Jaconé – Saquarema (RJ)
Vídeo: Wanderson Corrêa e Matheus Santos
Apoio: Pereira




