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CAIS DO VALONGO É ELEITO PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE PELA UNESCO

09 JUL 2017
09 de Julho de 2017
Região recebeu cerca de quatro milhões de escravos nos mais de três séculos de duração do regime escravagista.

Marco da herança africana no Rio de Janeiro, o Cais do Valongo agora é Patrimônio da Humanidade. O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco avaliou a inscrição do sítio arqueológico na 41ª reunião anual da organização, realizada na cidade de Cracóvia, na Polônia. No dia 10 de julho, um dia após o anúncio, às 16 horas, a Prefeitura do Rio fará uma grande celebração no cais para comemorar o reconhecimento.

 A secretária Municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, representando a Prefeitura do Rio no evento, comemorou a importante conquista, que definiu como etapa essencial para o reconhecimento de uma memória "que precisa ser revelada e, principalmente, reparada".

 – Este momento marca o início de uma nova fase em relação ao reconhecimento de uma história que, por muitas décadas, esteve nos subterrâneos do que oficialmente conhecemos do nosso país. A primeira medida, agora, será instalar um centro de referência no Cais do Valongo, como preconiza a Unesco, para que os próprios brasileiros conheçam um pouco mais sobre sua cultura – disse Nilcemar.

A secretária também destacou a instalação do Museu da Escravidão e da Liberdade, nome ainda provisório, no Galpão Pedro II, localizado ao lado do Cais do Valongo. Construído por André Rebouças, primeiro arquiteto afrodescendente do Brasil, o prédio é um ponto estratégico para o desenvolvimento de um projeto que pretende ser mais do que uma instituição de guarda e exposição de acervos, mas que abranja toda a territorialidade do entorno do que ficou conhecido como Pequena África.

– O que se preconiza é um museu vivo, de uma relação experiencial e de conscientização do indivíduo. Precisamos resgatar a nossa história. Apesar de todas as formas implementadas no sentido de negar a contribuição do negro na construção da cultura de nosso país, esta se demonstrou forte o bastante para se afirmar diante de todas as intempéries – enfatizou a secretária.

Aterrado em 1911, o cais foi redescoberto um século depois, em 2011, durante as obras de revitalização da região do porto. O dossiê de candidatura do Cais foi elaborado pela Prefeitura do Rio em trabalho conjunto com o Iphan.

- A cidade do Rio é importantíssima na constituição da cultura brasileira, com sua mistura e diversidade, como comprova a importância histórica do Cais e de seu resíduo arqueológico. O reconhecimento reforça ainda a vocação do Rio para o turismo – destacou o secretário de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação (SMUIH), Indio da Costa.

Os arqueólogos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), órgão vinculado à SMUIH e presidido por Augusto Ivan, estão fazendo o levantamento dos, aproximadamente, 500 mil itens que foram encontrados nos locais durante as intervenções. As peças, que incluem adornos, objetos, amuletos e ossadas, estão na Vila Olímpica da Gamboa.

- Sem dúvida, para o mundo inteiro, será um ponto de referência para quem estuda e pesquisa essa questão trágica da história humana. O Cais do Valongo é quase um memorial de repúdio à escravidão. No seu entorno se desenvolveu grande parte da cultura afro-brasileira, é onde temos a Pedra do Sal, quilombos, é um coalhado de memórias, sendo o Cais o epicentro – disse Augusto Ivan.

O Sítio Arqueológico do Cais do Valongo é considerado o mais importante vestígio material, fora da África, do tráfico atlântico de africanos escravizados, expressando material e simbolicamente um local que representa um registro da ação criminosa contra a humanidade. Em 2013, foi reconhecido como sítio de memória do Projeto Rota do Escravo – Resistência, Liberdade e Patrimônio, da Unesco.

Sobre o sítio arqueológico do Cais do Valongo

O Brasil recebeu cerca de quatro milhões de escravos nos mais de três séculos de duração do regime escravagista, 40% de todos os africanos que chegaram vivos nas Américas, entre os séculos XVI e XIX. Destes, aproximadamente 60% entraram pelo Rio de Janeiro, sendo que aproximadamente um milhão pelo Cais do Valongo. A partir de 1774, o desembarque de escravos no Rio foi integralmente concentrado na região da Praia do Valongo, onde se instalou o mercado de escravos que, além das casas de comércio, incluía um cemitério e um lazareto.

O local foi desativado como porto de desembarque de escravos em 1831, quando o tráfico transatlântico foi proibido. Em 1843, o local foi aterrado para receber a princesa Teresa Cristina, esposa do Imperador Dom Pedro II, recebendo o nome de Cais da Imperatriz. Durante as obras do Porto Maravilha, em 2011, foram encontrados objetos como parte de calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis e pulseiras em piaçava de extrema delicadeza, jogos de búzios e outras peças usadas em rituais religiosos.

Em 2012, a Prefeitura acatou a sugestão das Organizações dos Movimentos Negros e transformou o espaço em monumento preservado e aberto à visitação pública. O cais passou a integrar o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que estabelece marcos da cultura afro-brasileira na Região Portuária, ao lado do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, Pedra do Sal, Centro Cultural José Bonifácio e Cemitério dos Pretos Novos.


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